quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Bethi Mani di Fata

Era uma vez um carretel de linha
Que passou a vida a enrolar
Em uma prateleira qualquer de uma loja
Suspirava...Ai! Se alguem viesse me comprar

Foi aí que surgiu aquela senhora
Muito garbosa e prendada
Conhecida nas bandas daqui
Como Bethi Mani di Fata

Com seus olhos de lince, castanhos
Desvendou todos os fios da prateleira
E sorrindo pegou, escondido no alto
Aquele carretel de fio de seda azul

Em casa, já tranquila e relaxada
Pegou algo como uma varinha de condão
E foi tecendo aquele fio
Fazendo uma grande transformação

O que era fio, fiou
E agora virou botão
E mais tarde, miolinho de flor
Depois pétala, pétalas, um montão!

Uma margaridinha nasceu
E o codão umbilical foi cortado
Mas Mani di Fata não parava
E gerou flores para todos os lados

Fio de seda está orgulhosíssimo de si mesmo
Até pouco achava que servia só para cordão
Foi preciso próprio este lindo milagre
Para acreditar no poder da transformação

Nestes tempos de Ipode, Ipede, Iquero, minha amiga Bethi Mani di Fata, que é 100% real, continua operando o milagre de viajar, navegar, divertir, ensinar e entreter muita gente  ao seu redor com uma...digamos..."Igulha" de crochê!!










Nuestra Senhora Del Rocio



Conta a lenda que, como de costume, uma pessoa estava em um lugar improvável e encontrou a imagem de uma Virgem. Ela estava adornada com um manto rústico, porém recoberto por flores brocadas.
Ela foi levada para um local seguro, certamente uma capela.
Em seguida, uma forte seca se abateu sobre aquele pequeno povoado. Toda a lavoura encontrava-se em eminente perigo. Todas as plantas pareciam perecer.
Foi aí que alguém, com muita fé, teve a idéia de pedir aos céus através daquela imagem, uma luz para a situação.
Imediatamente a chuva se fez presente.
A lavoura foi salva e, certamente, muitas florzinhas brotaram pelos campos!

Será que existe um santo, um orixá, uma entidade ou seja lá o nome que for, que seja protetora das flores?

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A Virgem e as Flores

Numa bucólica pracinha de uma cidade andaluz, encontrei este conjunto de azulejos.
A quantidade de flores na pintura me causou extrema curiosidade.
Já que a cada santo é atribuido um dom de proteção, qual seria o dom desta Virgem? A Flora?
Quem adivinha?

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A Cigana e a Moça





Naquelas terras áridas, ao redor daquela fortaleza, onde o sol castigava e a vida não fazia diferente, cada um lutava com suas próprias armas.
Diante de tantas dificuldades, se fazia necessário acreditar em alguma coisa para se dar sentido ao dia a dia. E era exatamente este acreditar que muitas vezes abriam uma perigosa fresta em nossas almas.
Passeando por aquela estradinha do soldado, guardando as flores desenhadas pela caminho (veja meu post de ontem), uma jovem donzela ia, quase que como flutuasse.
Nos seus pensamentos, nada. Apenas o passar daquelas figuras encantadoras e a brisa morna eram seus companheiros. Olhar baixo, ela se deliciava com a caminhada.
Algumas curvas depois do riacho, ela pode perceber o barulho das folhas atrás de seu próprio passo, indicando que alguém a seguia.
Sem nenhum temor, ela continuou o percurso até chegar num enorme canteiro selvagem de alecrim. Respirou fundo, o mais fundo que podia para sentir o cheiro maravilhoso que vinha daquela planta.
Eis que a misteriosa figura que a seguia se fez aparecer. Era uma velha senhora, baixa, quase sem pescoço que a seguia com os olhos, qualquer fosse o movimento que fizesse.
A mulher se apresentou como uma poderosa cigana, que habitava nas colinas, às margens do cemitério. E como se espera de uma serpente, moveu-se rapidamente e pegou a mão daquela moça.
Ela tentou reagir, mas acabou permitindo, não se sabia ainda o porque.
“Você, moça bonita, já chorou muito, mas agora é feliz, encontrou felicidade. Mas existem pessoas invejando isto. Precisa se proteger. Deixa eu te ajudar.”
Se ninguém me ajuda nem a atravessar a rua, imagina se ia aparecer ali no meio daquele mato...pensou ela. Mas em sendo sábia, a moça nada disse. Apenas a guardou profundamente nos olhos como se dissesse: Você tem certeza? Não quer desaparecer daqui tão rápido como chegou?
A megera, ainda agarrada na delicada mão, pressionou ainda mais forte e disse: 
Deixa eu te ajudar, só eu posso!
Bela doce aquela moça, que ao invés de ser logo indelicada, preferiu o caminho da diplomacia. Sorriu, agradeceu e deixou claro que não tinha um só centavo para pagar pela eventual ajuda. E retomou sua caminhada.
Tão rápida quanto na oferta da ajuda foi a mudança de humor da velha.
Irritada por ter seguido por tanto tempo aquela moça, e ter esperado o momento certo para agir, e não habituada a receber um não para suas ameaças do “outro mundo” ela começou a gritar. Desejou e praguejou todo tipo de má sorte imaginável.
Mal sabia ela que, ao contrário de nós, pobre mortais, que não temos muitas armas contra eventuais falsos ataques ciganos, aquela moça era mágica.
Ela virou-se para a velha, e com o mesmo olhar de antes procurou dar uma segunda chance para que ela desistisse.
Claro que não aconteceu.
Então a moça pegou os ramos de alecrim florido que tinha nas mãos e soprou na direção da velha.
O perfume vindo das flores e das folhas do alecrim envolveram a velha como um tufão. Em poucos segundos a sua voz não se fazia mais ouvir. 
As nuvens fugiram, e o sol voltou a brilhar.
No lugar da velha, um imenso maço de alecrim florido se formou.
Só aí a moça falou: agora fique aí, pois é este o seu castigo, falsa cigana. Te aproveitaste das frestas nas almas alheias. Ao invés de ficar aí espalhando a podridão nas crenças alheias, irá, ao contrário, perfumar o caminho de cada ser que aqui passar. E ao sentir este perfume, as pessoas sentirão paz em seus espíritos.
E assim foi.
...ai como eu queria ser mágica de vez em quando...

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Tempo de Reflexão

Acabou meu feriado. 
Feriado nem sempre quer dizer que nos encontramos com nós mesmos. Muitas vezes, programamos ainda mais compromissos. Vamos com a idéia de que assim se aproveita ao máximo este tempo sem atividades impostas pelas obrigações cotidianas.
Acabo por precisar encontrar comigo mesma. 
A este ponto, preciso me dar um tempo para refletir. Mesmo que seja fazendo atividades comuns do dia a dia, como cuidar da casa, organizar um armário, ou cuidar do jardim. O importante é trazer o foco da sua "máquina" para dentro de si.
Com um fundo musical, fica sempre mais fácil.
Inspirada pelos contos que me estão a brotar na mente nos últimos dias, sugiro esta aqui.
Bom domingo a todos.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

O Soldado e o Caminho







E lá nas bandas daquela muralha vermelha
Onde dentro se consumava o amor dos dois jovens nobres
Entre exóticos labirintos de jardins floridos
Entremeados por fontes em forma de conchas
De cujas águas sopravam-se refrescantes brumas 
Onde românticos caminhos levavam a secretas torres
De cujas janelas só se permitia ver
As inacreditáveis molduras rendadas de suas trelissas

Ali, ao redor de suas fortes muras
No calor úmido do suor de cada rosto
Dos seres normais que por ali rondavam
Guardava o soldado que de terras distantes retornava
Magro, com a pele escurecida pelos tantos dias ao sol
Mas belo, como só a juventude o permite de ser

Também ele, apesar da ausência do sangue azul
Trazia secretamente dentro do seu coração
Sentimento nobre que justificava o seu viver
O amor por aquela jovem da terra distante
Que o sentimento de responsabilidade o fez abrir mão
Mas apenas momentâneamente, ele espera
Pois um día, voltará para aquele amor na plenitude viver

Oh, Portus Cale, terra distante, seja clemente, e cuida de minha Cesária. Pois na primavera estarei de volta, e a amarei para sempre.

E assim o faria.
Enquanto não foi possível, em sua dura missão de soldado, naquela terra quente ao redor da mura, onde só pedra e sol se via, ele sonhava com a chegada da primavera.
E no desejo encontrou inspiração para expressar a ânsia de sua espera.
Em suas infindáveis rondas, recolhia pedras pelo caminho. E sofria com todo aquele peso, mas se liberava com a realização de mosaicos.
Flores e mais flores, era só isto que ele desejava expressar.
E acabou criando um caminho belíssimo, sem se dar conta, para toda a tropa passar.
Passou também o tempo, e o soldado reencontrou seu amor.
Muito tempo já se passou e  seu caminho de flores de pedras continua lá. 
Como se quisesse dizer que quando há amor e vontade, tudo há. Ele magicamente se mantém e capta a atração de visitantes de todo o mundo.
Você precisa ver.
E o seu caminho, você o fez?

Para "entrar no clima" deste post, aconselho a leitura do post "Alhambra no Alambrado", publicado anteriormente.


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Água de Flores



Era uma  vez um príncipe muito belo, o mais belo do reino.
Em seu lindo cavalo branco, e suas roupas de tecido finamente brocado, cavalgava sempre feliz pelo seu reino.
As borboletas e os rouxinóis o saudavam todas as manhãs.
Os riachos e a brisa através das folhas, compunham novas melodias todas as manhãs, só para ve-lo passar.
E nosso príncipe saltava com seu lindo corcel quase prateado.
Cabelos ao vento, músculos rígidos, pele perfeita. 
Era a energia em pessoa.
Qual seria o segredo daquele príncipe?
E cavalgou, cavalgou, cavalgou até encontrar um lindo lago encantado.
Era um lindo lago, em meio a um bosque de pinheiros, com montanhas azuis e nevadas ao redor.
Foi então que ele cavalgou lentamente até a beira do lago. Desceu de seu cavalo, observando atentamente cada pedacinho daquele paraíso, como se estivesse preso a um encanto.
Debruçou-se.
Olhou para o profundo do lago e viu toda a realidade ao seu redor espelhada naquelas águas encantadas.
E viu a si mesmo: lindo, belo, energizado.
Estava encantado.
E se aproximava cada vez mais daquela água.
Sua boca parecia querer beijar aquele vulto de si mesmo.
Pobre príncipe. Seria aquele o seu fim?
Seria a maldição de Narciso?
E foi então que seus lábios tocaram aquela água...
E sabe o que aconteceu?
Ele bebeu, bebeu, bebeu, bebeu...até matar toda a sede que ele tinha ali e aquela que ele viria a sentir no caminho de volta.
Era este o segredo do príncipe: beber muita água!!
Viu só? Nem sempre a vida tem tantos mistérios. 
E os segredos estão sempre nas atitudes mais simples.


Eu sou meia "camelo", faço a maior força para tomar água regularmente. Mas com uma garrafa tão bonitinha de água assim, fica até mais fácil ter vontade!!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Onze Horas





No jardim do meu vizinho havia uma plantinha chamada "onze horas".
Era uma planta rasteira, que dava umas flores pequenas e delicadas, de várias cores.
De manhã ela começava a se abrir, e às onze horas estava aberta, maravilhosa, no seu explendor saudando o sol.
Maravilhosa e sábia, entendia a sua hora, o seu momento. E respeitava, religiosamente, aquele ciclo.
Ai, quanto tormento teria eu evitado se tivesse a mesma sabedoria daquela florzinha.
Mas inúmeras são as vezes que quero flexibilizar o tempo, e me imponho suportar mais do que sou capaz.
E inúmeras também são as vezes onde sei que o tempo não será suficiente, mas insisto em algo que seria necessário o dobro de prazo.
Acabo vegetando.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Quarta de Cinzas




Quarta Feira de Cinzas.
Dia Oficial do Ócio.
O feriado praticamente acabou e a gente fica com a sensação de "quero mais".
Quem pode, pode. Quem pode, continua no ócio.
Já disse o expert que o ócio é imprescindível para se manter o bom nível de criatividade.
Aproveite o seu, que eu vou aproveitar o meu, deitada aqui neste solzinho, nesta relva cheia de perfumadas flores selvagens.
Estou no paraiso...
Ash Wednesday.
Official Day of Leisure.
The holiday is almost over and we get the feeling of "I want more."
Who can, canWho canstill in idleness.
One expert already said that idleness is essential to maintain the good level of creativity.
Enjoy yours, I'll take mine, lying here beneath the sunon the grass full of fragrant wild flowers.
I'm in paradise ...

Mercoledì delle Ceneri.
Giorno ufficiale di Ozio.
La vacanza è quasi finita e abbiamo la sensazione di "voglio di più".
Chi può, può. Chi può, é ancora in ozio.
Ha detto l'esperto che l'ozio è essenziale per mantenere il buon livello di creatività.
Godetevi il vostro, mi prendo il mio, sdraiato qui sotto Sole, sul questa erba piena di profumati fiori selvatici.
Sono in paradiso ...

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Musicas de Carnaval Sem Prazo de Validade

Tempo que flutua no tempo.
(canta a eterna Beth Carvalho)


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Carnaval

Segunda-feira de Carnaval. É assim em quase todo o mundo.
Cada um curte este período à sua maneira, mas claro que para a maioria dos brasileiros, é um momento especial.
É uma espécie de parêntesis entre empolgação e expectativas do início do ano (e todas os planos que fazemos) e o restante que está por vir. 
É dar um tempo...tempo para "carregar as baterias" do ânimo. 
Tempo para fazer ajustes de rota...
Tempo para fazer de conta que simplesmente o tempo não existe, e que aqueles dias de folia flutuam em uma dimensão totalmente diferente de todo o resto.


Carnival MondayIt is like this in most of the world.
Each one enjoys in different ways, but for most Brazilians, it is a special moment.
It is a kind of parenthesis between  excitement and expectations of the begging of the
 year (and all the plans we make) and the rest that will come.
It's time to give yourself a brake... time to "charge the batteries" of our mood.
Time to make route adjustments...
Time to pretend that time simply doesn't existsand that those days floats in a totally different dimension.



Lunedi di Carnevale. È così nella maggior parte del mondo.
Ognuno vive al suo modo questo periodo, ma naturalmente per la maggior parte dei brasiliani, è un momento speciale.
Si tratta di una sorta di parentesi tra l'eccitazione e le aspettative del inizio del anno (e tutti i piani che facciamo) e il resto che sta per venire.
Ci vuole tempo ... tempo per ricaricare le batterie del stato d'animo.

Tempo per effettuare qualche regolazioni di percorso.
Tempo di far finta che non vi è semplicemente il tempoe che quei giorni galleggiano in una dimensione totalmente diversa.








domingo, 19 de fevereiro de 2012

Estranho No Ninho - PARTE 2

M-I-S-T-É-R-I-O resolvido!
As fotos misteriosas de ontem simplesmente são flores.
Minhas amadas e queridas flores, que comemos e nem nos damos conta que são...flores!
Se estas são boas, imagine as outras!!






sábado, 18 de fevereiro de 2012

Estranhos No Ninho

O que é isto?
Invasão alienígena ou uma foto de algum album de virologia?
M-I-S-T-É-R-I-O





sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Caixinha de Surpresas


Quem diria que ao final de uma estradinha assim...


...haveria uma colorida estalagem...


...com uma mesa nos dando boas vindas assim!




Nem tudo na vida são flores. 
E muitas vezes elas nos surgem de onde e de quem a gente menos espera...



quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Descomplicando a Complicada - PARTE 2




Acho que este tema Descomplicando a Complicada (...da vida) vai acabar ficando igual a filme do Rambo, vai ter a versão 1, 2, 3...9...18...o retorno, a vingança, etc.etc.
Mas os protagonistas aqui somos sempre nós!
Vamos lá. Se coloca aí bem confortável na sua poltroninha que o filme vai começar.
Imagine voce, com várias crianças em casa, com muita energia para dar e vender.
Eles cheios de expectativas sobre o que fazer naquele fim de semana que está chegando, e você sonhando em ter mais tempo para fazer as suas coisas.
Neste caso aqui, a protagonista, que acabou por virar coadjuvante, queria tanto cuidar de um cantinho da casa, mas queria também corresponder às expectativas daqueles pequenos.
Eis que ela foi traída pelo pintor furão, um personagem muito batido, como o pedreiro ou o eletricista furão, aquele que diz que vem e na hora agá, não aparece nem para te dar o orçamento. Ai, que raiva!
Para aumentar a emoção, eis que este filme se passa numa monótona manhã de um sábado bem chuvoso.
O que voce faria?
Vamos ao shopping dar um passeio? Shopping não, minha amiga. Shopping no fim de semana não combina com minha pele. Com um ansiolítico ou dois, talvez...mas melhor não abusar dos medicamentos.
Então vamos ao cinema? No fim de semana e com chuva, vai ter esta mesma idéia você e a torcida do Corintians.
Então vamos ao fast food. A gente compra o lanchinho que vem com brinquedinho e todo mundo fica feliz. Mas este é o programa oficial da quarta-feira para pular o jantar. Se voce faz no sábado, como vai ficar a quarta-feira?
Sabe o que voce faz? Descomplica.
No meu sábado de filme, comprei latas de tinta, rolinhos de pintor e um pincel para cada um. Um pincel para cada um é o segredo para não ter briga!
Depois relaxei, me programei para não criar expectativas se ia ficar bom ou ruim, se ia sujar ou não o chão, se a roupa ia para a máquina ou para o lixo.
Tanto faz, porque o objetivo aqui era VIVER o sábado, não PASSAR o sábado juntos.
Qual a moral deste filme? É simples, curto e grosso:
Quantas vezes nas nossas singulares vidas (porque é uma só até que provem o contrário), nem consideramos o simples para lançar mão do banal, do vazio, do insalubre e anti-ecológico, do aparentemente fácil.
Socorro, meu amigo! 
Toma um remédio para a memória ou procura no Google e resgata brincadeiras e atividades do passado para VIVER com seus filhos. 
Ou voce decidiu TER filhos, como as roupas que tem no armário, ou voce decidiu SER pai (ou mãe).
Decida-se, e eu garanto, é descomplicado.











quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Descomplicando a Complicada







Cantinho da Macumba...

Fui dormir e acordei com a notícia da morte da Whitney Houston. 
Estas coisas me provocam uma mistura de sentimentos: curiosidade, pena, comoção, perplexidade, entre outros. Whitney, Michael, Amy, Curt...nomes públicos para dores muito particulares.
Sim, para fazer uma pessoa agir de formas tão extremas, deve ser uma dor muito grande, insuportável, bem no meio e dentro do peito.
Deve ser uma sensação de sufocamento enlouquecedora.
E, provavelmente, o insustentável peso de uma solidão a empurrar tudo isto para dentro daquele ser.
A vida está ficando muito complicada...
Já senti um pouco disso tudo na minha própria pele. 
E conheço tantas outras pessoas que, para mais ou para menos, estão na mesma situação.
Por estas e outras, faz bem pouco tempo, decidi descomplicar. Sem grandes revoluções, vou pegando cada pedacinho deste "presente" e descomplico.
No ano novo, por exemplo, um querido casal convidou para comemorar na casa deles. Como boa mocinha educada que sou, cabia a mim levar um presente aos anfitriões.
Ir ao shopping comprar uma boa garrafa de champagne seria o mais óbvio. Mas...
Óbvio não é mais comigo.
Me matar no estacionamento de um shopping brasileiro em pleno período de festas também não faz parte do meu ser.
Dar um presente simplesmente para respeitar um protocolo...menos ainda.
Peguei o desafio, "baixei o santo" da inspiração e fui para o jardim, com tesoura, cola, cordões, etc.
Cortei galhos de louro, de limão siciliano, de alecrim, e de aroeira. 
Alecrim e limão em flor. Vocês precisavam sentir o cheiro desta dupla!
No meu vizinho, escolhi no chão algumas pinhas.
De uma caixa empoeirada no armário, saíram as antigas bolas de natal prateadas.
Com muita serenidade comecei, com muito amor, a colar daqui, pintar dali, respeitando o material e a habilidade que tinha.
Curti cada passagem daquele processo.
O resultado foi uma "guirlanda da sorte", uma grande brincadeira, que saiu bem charmosa!
Chegou a noite, e fomos todos para a casa da amiga. 
Lá aconteceu aquilo que eu chamo de conhecidência não-conhecidência...
Minha amiga, muito divertida, havia criado o "cantinho da macumba": uma mesa branca com flores, pimentas, sal grosso, velas e galhos de arruda. A tal mesa estava encostada em uma pequena parede que tinha um gancho...sem nada...ali só esperando o inesperado...
Aquilo completou o prazer que tive em fazer algo tão simples, descomplicado, com as minhas mãos, poucos recursos, mas muita imaginação e amor.
E me mostrou mais uma vez que quando as pequenas ou grandes coisa são feitas assim, com prazer, elas geram uma energia tão grande, que te sintoniza com o momento, com o outro.
Lindo, e - garanto - libertador.


Dedico este post ao casal mais em sintonia que conheço...Fabi e Paulo, e desejo amor e felicidade sempre.